Governo desconsidera CPI da Previdência e investe alto para implantar a reforma

O governo do presidente Michel Temer tem se utilizado de todos os artifícios possíveis para fazer a população acreditar que a reforma da Previdência será positiva para a maioria dos brasileiros. Além da propaganda, sustentada por dados manipulados, ele não tem economizado na distribuição de emendas para “comprar” os votos necessários para aprovar a reforma.

Para levar adiante seu objetivo, o governo desconsiderou até mesmo o relatório final da CPI da Previdência no Senado. No documento, assinado pelo senador Hélio José (PMDB-DF) e divulgado no fim de outubro, “é possível afirmar, com convicção, que inexiste déficit da Previdência Social ou da Seguridade Social”.

Além dessa constatação, o relatório traz à tona números estarrecedores, como a dívida atual das empresas privadas à Previdência: R$ 450 bilhões, sendo que, desse montante, somente R$ 175 bilhões corresponderiam a débitos recuperáveis.

“A CPI concluiu o que já se sabe há anos: a Seguridade Social no Brasil é e sempre foi superavitária. Qualquer avaliação séria, com os dados reais, demostraria o que os movimentos sociais vêm dizendo. A proposta de reforma da Previdência não tem nada a ver com a sustentabilidade do sistema, mas com um projeto de país que privilegia o sistema financeiro em detrimento da população brasileira”, avalia Cláudia Ricaldoni, vice-presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) e associada da AEA.

MOBILIZAÇÃO

Claudia entende que o relatório da CPI não vai alterar a proposta do governo, pois o objetivo da reforma não se baseará em fatores técnicos, mas, sim, políticos. “Entretanto, o relatório vai desconstruir o argumento do governo e ajudar na mobilização da população brasileira que, na minha opinião, é a única forma de barrar essa reforma”, aponta.

A mobilização mencionada pela vice-presidente da Anapar passa diretamente pela ação de entidades como a AEA, que já manifestou seu repúdio à reforma proposta por Temer e sua turma.

“As instituições que não apoiam a reforma devem fazer o trabalho de divulgação e esclarecimento à população. Deve-se transformar o relatório em conhecimento e desmistificar de vez o discurso do governo. Todo sistema previdenciário precisa de correções eventuais para se manter sustentável, mas o que o governo propõe está longe disto: trata-se de destruir o sistema”, sentencia.

GOVERNO A SERVIÇO DE UM 'GRUPO ESPECÍFICO'

claudiaricaldoniComo parte da estratégia para convencer a população sobre os benefícios e a necessidade de se promover a reforma da Previdência, o Planalto gastou R$ 100 milhões em propaganda, neste ano. No último dia 12, anunciou mais R$ 2 bilhões em emendas para prefeitos, com o mesmo intuito.

Michel Temer defende “uma reforma da previdência que dê oportunidade igual a todos, sem privilégios, para que os aposentados possam receber suas pensões, bem como quem for aposentar no futuro”, como já declarou.

Contudo, o argumento não é aceito por quem acompanha o assunto. “Para quem acredita na tese do estado mínimo, qualquer sistema de proteção social é entendido como privilégio. Para este segmento da sociedade, o estado não deveria ter o papel de distribuir renda e equilibrar as relações dentro da sociedade”, avalia Cláudia Ricaldoni (foto).

Além dessa visão distorcida, ela acusa o presidente de estar fazendo o jogo para atender ao interesse de um “grupo específico”.

 “Temer foi levado ao poder para implantar um projeto de sociedade que não teria a mínima chance de ser eleito, nem no Brasil e nem em lugar nenhum do mundo, pois é um projeto de minorias. São essas minorias e suas vozes que tentam nos fazer acreditar que direito são privilégios”, argumenta.

 

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